Rondó da Liberdade
February 27, 2025 at 11:43 PM
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*COMO FOI A ESTRATÉGIA DE SEPARAÇÃO DA CHINA E RÚSSIA QUE TRUMP QUER REPETIR?*
Na década de 1970, os Estados Unidos implementaram uma estratégia para explorar a crescente divisão entre a China e a União Soviética. “Durante muito tempo, os planejadores políticos americanos, cegos por conceitos ideológicos, não enxergaram que a ruptura sino-soviética era uma oportunidade estratégica para o Ocidente”, Henry Kissinger, diplomata e arquiteto dessa estratégia, em “Diplomacia”, 1994.
“Otto Von Bismarck, provavelmente o maior diplomata da segunda metade do século XIX, disse certa vez que, em uma ordem mundial de cinco nações, é sempre desejável ser parte de um grupo de três. Aplicando-se isso à interação de três países, seria de se pensar que é sempre desejável estar em um grupo de dois. Essa verdade escapou aos principais atores do triângulo China-URSS-EUA por uma década e meia”, Henry Kissinger em “Sobre a China”, 2011.
“Os dois Estados comunistas jamais conseguiriam fundir sua respectiva hostilidade em relação aos Estados Unidos — exceto de forma breve e incompleta na Guerra da Coreia —, devido à rivalidade crescente entre Mao e Moscou em relação à primazia ideológica e à análise geoestratégica”, Henry Kissinger em “Sobre a China”.
“Se pudéssemos confirmar aquilo de que suspeitávamos — que a União Soviética e a China tinham mais medo uma da outra que dos Estados Unidos — estava aberta uma oportunidade inédita para a diplomacia americana”, Henry Kissinger em “Diplomacia”. O governo Nixon iniciou uma série de medidas para sinalizar uma mudança de atitude em relação à China, isolando a URSS.
“Executando a estratégia de transformar o mundo dividido entre duas potências, em um triângulo estratégico, os Estados Unidos anunciaram, em julho de 1969, uma série de iniciativas unilaterais para indicar a mudança de atitude. Cancelou-se a proibição de americanos viajarem para a República Popular da China; aos americanos era permitido trazer US$ 100 de bens chineses para os Estados Unidos; e permitiram-se carregamentos limitados de cereais americanos para a China. Estas medidas, insignificantes em si mesmas, visavam transmitir a nova abordagem americana”, Henry Kissinger em “Diplomacia”.
A visita de Richard Nixon à China, em 1972, foi um marco fundamental nessa estratégia. China e EUA concordaram em se opor a qualquer tentativa de qualquer país (implicitamente, a União Soviética) de estabelecer uma dominação mundial. “Nesse processo, cada lado seria o guardião de seus próprios interesses. E cada lado buscaria usar o outro como ponto de alavancagem em suas relações com Moscou”, Henry Kissinger em “Sobre a China”.
Ao se aproximar da China, os EUA aumentaram as suspeitas soviéticas e incentivaram Moscou a buscar melhores relações com Washington. “Mao presumira que a abertura americana para a China multiplicaria as suspeitas soviéticas e agravaria as tensões entre Estados Unidos e União Soviética. A primeira aconteceu; a última, não. Após a abertura para a China, Moscou começou a competir pelas boas graças de Washington. Os contatos entre as superpotências nucleares se multiplicaram”, Henry Kissinger em “Sobre a China”.
“Em meados da década de 1980, a União Soviética enfrentou uma defesa coordenada — e, em muitos casos, uma resistência ativa — em quase todas suas fronteiras. Nos Estados Unidos, na Europa Ocidental e no Leste Asiático uma coalizão frouxa de quase todos os países industrializados havia se formado contra a União Soviética. No mundo desenvolvido, os único aliados remanescentes da União Soviética eram os Estados-satélite do Leste Europeu onde ela mantinha tropas estacionadas. Enquanto isso, o mundo em desenvolvimento se mostrara cético acerca dos benefícios da ‘libertação’ popular sob armas soviéticas e cubanas”, Henry Kissinger em “Sobre a China”, 2011.
A estratégia adotada pelo governo Nixon contribuiu, assim, para isolar e derrubar a URSS, enfraquecendo a luta revolucionária. Como o próprio Donald Trump já anunciou, é o que ele quer fazer, mas dessa vez o inverso: aproximar-se da Rússia, para isolar a China.