sit and think .. 🪑
June 10, 2025 at 02:51 AM
"Você é o homem mais forte e idiota que eu conheço." Disse Tulipan com um sorriso leve, quase melancólico, enquanto ainda olhava para o céu como se conversasse com as estrelas. A frase, embora brincalhona, carregava um afeto sincero. "Abençoadas sejam as pessoas que te têm por perto. Muita sorte a delas."
As palavras ficaram pairando no ar, doces e um pouco amargas, como se escapassem de um lugar que Tulipan nem sabia que guardava.
Ramon desviou o olhar para ele, tocado pela franqueza. Um sorriso discreto curvou o canto de seus lábios.
"As que eu gostaria que estivessem por perto… me chamam de idiota." Respondeu em voz baixa, quase como uma confissão vestida de piada. Mas quando seus olhos encontraram os de Tulipan, havia algo mais ali. Uma hesitação. Uma verdade sem pressa.
Tulipan piscou, surpreso. O sorriso se abriu em meio a um riso incrédulo, leve e provocador.
"Você tá flertando comigo?" Perguntou, com uma sobrancelha arqueada, como quem queria rir mais da ousadia do que da ideia em si. E, mesmo sem resposta imediata, ele já sabia. O flerte não era novo, só agora estava ficando mais evidente.
Ramon riu também, balançando a cabeça como se fosse um menino flagrado em traquinagem.
"Não, que isso…" Disse, teatral, com um tom fingidamente ofendido. "Só vim aqui porque estava preocupado!"
"Ah, claro. Preocupado." Tulipan respondeu, ainda rindo. "Por isso esse olhar de “acho que acabei de dizer demais sem querer”."
"Não disse nada que não fosse verdade." Ramon respondeu de pronto, com a voz mais firme agora, mas ainda gentil. O olhar fixo no de Pan por um segundo a mais do que o habitual.
O silêncio voltou, mas dessa vez não era desconfortável. Era cheio. Como se os dois soubessem que havia mais sendo dito do que qualquer palavra conseguiria traduzir naquele instante.
Tulipan abaixou os olhos, sorrindo de canto, sentindo o peito menos apertado, o corpo menos tenso. A dor ainda estava lá, mas havia algo de quente também — algo que Ramon tinha trazido consigo, como sempre fazia.
E, mesmo sem dizer em voz alta, Pan sabia. Talvez a sorte que ele acabara de desejar as estrelas cadentes estivesse ali do seu lado, desde o começo.
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