Genuínos Ortodoxos no Brasil
February 4, 2025 at 08:25 PM
Como crucificar a carne e suas paixões?
A luta contra as tentações e a crucificação da carne com suas paixões é um dos fundamentos da vida espiritual cristã, especialmente na tradição Ortodoxa. A espiritualidade dos Santos Padres ensina que o homem, corrompido pelo pecado ancestral, é chamado a purificar-se por meio da ascese, da vigilância e da graça de Deus.
São João Clímaco nos adverte: “O pecado é um hábito, e o hábito, não combatido, torna-se uma necessidade.” Assim, a negligência no combate às paixões leva à escravidão espiritual, tornando o homem cativo dos desejos desordenados. A tentação em si não é pecado, mas consentir nela, deixar-se levar por seus impulsos, conduz à morte espiritual. Os santos sempre nos alertaram que a luta contra o pecado começa na mente, pois os pensamentos impuros, se não forem repelidos, descem ao coração e se transformam em desejos e, finalmente, em ações pecaminosas.
A Igreja Ortodoxa mantém fielmente a tradição da luta ascética como meio de purificação. São Teófano, o Recluso, ensina: “Se você não for contra os seus próprios desejos, nunca será um verdadeiro cristão.” A mortificação da carne não significa destruição do corpo, mas sim subjugar seus impulsos desordenados ao espírito. A carne deve ser colocada sob o jugo da alma iluminada pela graça, e não o contrário.
O jejum, a oração e a vigilância são as armas espirituais concedidas por Deus para essa luta. São Basílio, o Grande, declara: “O jejum dá asas à oração.” Quando o corpo é disciplinado, a alma se eleva mais facilmente à contemplação divina. Sem ascese, sem esforço, sem renúncia ao conforto do mundo, a cruz não é carregada, e sem cruz não há ressurreição.
Os Santos Padres frequentemente falam sobre a necessidade de cortar as paixões pela raiz. São Isaac, o Sírio, ensina: “Aquele que quer vencer as paixões deve, antes de tudo, vencer os pensamentos que as geram.” Isso significa que a luta contra o pecado é interior antes de ser exterior. Muitos tentam mudar suas ações sem antes transformar o coração, mas os Padres nos dizem que, enquanto o coração estiver inflamado pelas paixões, as ações pecaminosas inevitavelmente brotarão dele.
A graça de Deus é indispensável para essa batalha, pois ninguém pode vencer as tentações apenas com suas próprias forças. São Macário do Egito exorta: “Você não pode vencer os demônios se Cristo não os vencer por você.” O homem deve lutar, mas sem a ajuda de Deus, o esforço humano é inútil. A oração incessante, a busca pela graça nos santos mistérios e a constante lembrança da morte são essenciais para manter a mente e o coração em Deus.
A luta contra as tentações é diária e dura até o último suspiro. Não há descanso para aquele que deseja a salvação, pois o inimigo não dorme. São Antônio, o Grande, dizia: “Vigiai, pois os demônios não descansam.” Se os inimigos da alma são incansáveis, quanto mais devemos nós, os soldados de Cristo, permanecer vigilantes e armados com as armas espirituais!
Por fim, é necessário lembrar que a cruz da luta espiritual não é um fardo insuportável, mas o caminho para a liberdade e a vida eterna. Como diz São João Crisóstomo: “Nenhuma tempestade pode derrubar aquele cuja alma está firmemente ancorada em Cristo.” O mundo moderno, com suas distrações e tentações, tenta sufocar a vida espiritual, mas a Igreja Ortodoxa mantém firme o chamado ao verdadeiro ascetismo e à cruz de Cristo.
Se queremos nos unir a Deus, devemos crucificar a carne com suas paixões e desejos, carregando nossa cruz com paciência, fé e amor. Como diz o Apóstolo: “Os que são de Cristo crucificaram a carne com as suas paixões e concupiscências.” (Gálatas 5:24). Que o Senhor nos conceda força para essa batalha e que possamos permanecer firmes até o fim. Amém.
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